MORTO

     O cavaleiro acordou subitamente, de um sonho profundo que ele nunca iria se lembrar. Ele só podia ver escuridão onde estava nenhum barulho podia ser ouvido, e ele não conseguia se mexer. Ele quase entrou em pânico naquele momento, mas nenhuma sensação veio até ele, nenhum enfraquecimento nas pernas, nenhuma vontade de fugir dali, ou qualquer desequilíbrio causado pelo medo.

     Ao invés disso, o cavaleiro tentou pensar, lembrar como pudera chegar ali, onde estava e o que poderia fazer. Ao pensar um pouco, ele percebeu que não sabia de nada, nem o seu próprio nome.

     Uma sensação de câimbra se espalhou por suas pernas e braços, e seus dedos puderam se mexer. Então percebera um grande peso que havia por todo o seu corpo. Quando todos os seus sentidos voltaram á sua cabeça ou rosto, ele continuou não podendo ver ou ouvir nada, mas percebeu que, seja lá qual fosse o peso por cima dele, este estava entrando por sua garganta e narinas, ele concluiu que era terra.

     Incontáveis minutos depois, ele concluiu que aquilo não deveria ser um problema grave, por que por algum motivo ele podia continuar a respirar. Ele podia sentir o gosto da terra, mas não conseguia saber se era uma sensação boa ou ruim. Era apenas outra sensação para ele.

     O cavaleiro tentou mover terra com seus dedos, tentando abrir espaço para os braços. A terra parecia mole, como se fosse recém movida. Ele começou a pensar no que isto poderia implicar, talvez tivessem feito com ele o mesmo que faziam com aqueles que não se mexiam mais. Seja lá o nome dado para isto…

     Enterrado, lembrou ele. Mas havia algo de errado, demorou um pouco mais para ele concluir o que; ele ainda podia se mexer, mesmo que pouco, ele ainda não estava pronto para ser enterrado, ele estava vivo.

     Ele sentiu raiva, ele estava vivo e lhe trataram como se fosse o contrário, embora ele não conhecesse o termo para isto, era a primeira emoção que sentira desde que acordara. Alguém havia lhe tratado como um não-vivo mesmo que ele fosse um, e o cavaleiro iria se vingar de quem lhe fizera isto. Se ele pelo menos soubesse quem odiava.

      Alguns centímetros, mesmo que poucos, de terra haviam sido retirados, quando todo o solo caiu por cima dele, lhe imobilizando novamente. Ele desistiu antes de começar aquele trabalho que poderia ser inútil ele deveria tentar pensar um pouco mais, saber o que estava acontecendo.

     Imagens se formaram lentamente em sua mente, sombras, um ponto brilhante em um pano de fundo azul, outras pessoas, uma pequena besta de olhos tristes ele se lembrou de várias sensações, o frio, o calor, a melancolia, a alegria e o medo. Ele conseguia se lembrar de quase tudo que acontecia acima da terra, mas não conseguiu se lembrar como acabara por baixo. Ao tentar fazer isto, lhe vinha à cabeça à imagem de uma espada de quatro lâminas, e das sombras se levantando para lhe rasgar.

     Então, pela primeira vez naquela quantidade misteriosa de tempo, ele conseguiu ouvir sons. Era o barulho de um objeto metálico batendo contra o solo repetidamente. Pá, ele se lembrara da ferramenta, alguém estava lhe trazendo de volta para o mundo dos vivos. O servo da ordem de Walter tentou fazer um sorriso em seu rosto, mas ele não conseguia mover o lado direito de seu rosto, ele sequer conseguia senti-lo.

     O tempo passou e o som se aproximava cada vez mais, e de repente outro som surgiu como de algo tentando cavar com as unhas. Então o cavaleiro sentiu a ferramenta de metal atingindo sua perna, talvez a perfurando um pouco, embora ele não sentisse dor.

     A pá se retirara, e logo mãos e unhas retiravam toda a areia e pedras, o peso por cima do braço esquerdo diminuía o bastante para poder ser erguido, e foi o que ele fez. Sua mão se levantou pelo ar livre, procurando por apoio, alguém agarrou esta e puxou, o cavaleiro conseguiu se levantar, espalhando terra e sentindo o ar da noite. Ele logo foi cegado por uma forte luz vinda de seu lado, e soltou a mão que o ajudara para proteger os olhos.

     -Vamos, está se sentindo bem? Alguma coisa faltando? Vamos, beba isto – Disse uma voz ao lado, enquanto ele ouviu o som de algo de vidro sendo levantado. O cavaleiro de Walter tentou falar alguma coisa, mas apenas sentiu algo no fundo de seus pulmões lhe impedindo. Então ele apenas ergueu a mão na direção da qual a voz vinha, e a outra pessoa lhe passou um prato, que guardava algum líquido, e bebeu. Ele sentia um gosto familiar, que lhe trazia imagens de pessoas se ferindo, mas ele se sentiu muito melhor com aquilo, e pôde abrir seu olho. 

     Ele estava em um buraco de alguns poucos metros, era de noite e o seu estava limpo, sendo iluminado pela lua e dezenas de estrelas. Havia um homem por perto, já saindo do buraco com a pá em mãos, ele estava vestindo com mantos negros, difíceis de distinguir da escuridão, mesmo estando próximos de uma lamparina acessa.

      Esta pessoa misteriosa se aproximou do cavaleiro e ergueu as duas mãos á frente dele. “Espere alguns minutos, eu tenho de ter certeza que você não vai se desfazer de repente”, ele abaixou a cabeça e começou a mexer as palmas em pequenos círculos. O outro não podendo se comunicar, esperou impacientemente, e começou a olhar em volta para alimentar pelo menos um pouco de sua curiosidade.

      O buraco parecia estar em uma planície, ao lado do que parecia ser uma estrada de pedras. E um pouco atrás do monte de terra escavado, havia uma espada fincada na terra, que parecia ser muito importante para ele. O cavaleiro virou sua cabeça o máximo que pôde para a direita, ele não conseguia ver nada no seu lado esquerdo, e percebeu meia dúzia de figuras altas, ele prendeu seu olhar naquelas figuras por alguns momentos, e lentamente a escuridão se dissipou, e lentamente ele identificou as figuras: Pessoas amarradas em troncos de madeira, mortas com cortes em seus corpos; por baixo de cada um destes corpos havia uma pele, que ele logo identificou como peles de lobos, onde se acumulava o sangue dos respectivos corpos. “Homens-lobos” Disseram uma voz velha e talvez mal humorada em sua mente.

      Ele voltou seu olhar para frente, para o homem de manto negro, seus movimentos diminuindo lentamente, e o cavaleiro percebeu que em sua mão direita havia as tatuagens de ossos, representando os ossos do próprio membro. Em seu manto, havia um símbolo semelhante á um quatro. A mente dele começou a juntar tosos os elementos do quebra-cabeça, e ele se sentiu acordando como se lhe jogassem água fria. “O glifo da morte”.

      Ele empurrou o homem de sua frente, e correu em direção á espada, ainda que suas pernas estivessem duras. Em sua pequena corrida seu pé entrou em um pequeno buraco na terra, e ele caiu ao chão, ouvindo o barulho de algo se partindo e ele parou de sentir sua perna esquerda. Apesar disto, apoiando-se em sua perna restante, ele se levantou e pegou a arma em suas mãos, retirando-a do chão e a apontado-a para o outro.

      Através de seu olho, ele viu o homem do manto escuro parado, olhando para a lâmina fixamente. Por um momento ele virou sua atenção para esta, vendo um símbolo desenhado nela; uma espada de quatro lâminas, e algo escrito logo abaixo em letras pequenas, mas que ele pôde ler rapidamente:

      Aghato Largney, Cavaleiro da Ordem de Walter

      Era seu nome e titulo, que ele havia esquecido. Esta pequena mas importante memória lhe afetou, mas logo ele voltou sua visão para frente; para naquele instante ser derrubado no chão.

      Aghato não pôde sentir o seu impacto no chão, talvez ele pudesse resistir ao impacto se ainda pudesse sentir sua perna direita. Ele conseguiu manter a espada em suas mãos, e assim que pôde ele tentou mover a arma em direção ao seu atacante.

       Mas ele percebeu que era um pequeno animal que o derrubara, um cachorro de patas curtas, branco e de várias manchas marrons, suas orelhas longas e caídas, seu olho amarelo e o verde; ambos contornados de preto, dando um olhar triste para o animal. Ele estava mostrando os dentes e rosnando para Aghato, ele não conseguiu atacar o cachorro, que por algum motivo era importante para ele. O cavaleiro ergueu a mão para tentar acalmar o cachorro.

      -Acalme-se. Eu estou aqui para te ajudar, acalme-se e poderemos conversar calmamente.

      O cachorro saiu de cima do cavaleiro, já calmo. Este se virou para o outro, tentando falar algo novamente, e novamente percebendo que não podia falar, ele ainda mantia a espada em sua mão.

      -O seu pulmão ainda está cheio de terra, em breve você irá absorvê-la por completo, até mexa os lábios que eu poderei ler.

      Se apoiando na espada, Aghato se levantou novamente e tentou falar outra coisa.

      -Sim, eu admito que utilize do glifo de Stixns, mas não acredite em todas as lendas, hoje eu estou trabalhando em favor do bem.

      -Não, eu não tenho uma prova completa, apenas acredite em mim baseado no fato que eu te tirei de um buraco, e que eu te deixarei em paz em alguns momentos-Disse ele em resposta as palavras não pronunciadas de Aghato.

      O cavaleiro apontou para os corpos amarrados por perto enquanto fazia outra pergunta.

      -Eles eram servos de uma bruxa, que você mesmo matou – Aghato logo pôde se lembrar disto – Eu apenas usei de seu sangue para te ajudar. Cavaleiro, você veio aqui para combater uma bruxa, uma bruxa eu lhe digo. Você lutou bem mas caiu em batalha, enquanto que ela escapou. Não, eu não posso deixar uma mancha tão perversa no mundo escapar, por isso eu te ajudei. Perceba, alguns momentos atrás você estava MORTO, se não fosse à gravidade da situação você deveria estar me agradecendo.

      O choque foi menor para o cavaleiro do que ele esperava, talvez ele já soubesse de seu estado em seu subconsciente. Após refletir por alguns momentos, ele perguntou para o homem, sem fazer nenhum som, “O que eu sou neste momento?”, seu trabalho exigia que ele conhecesse algumas criaturas desmortas, ele até ouvira sobre os confrontos de Baldur com estas criaturas, e nenhuma história era agradável.

      -Você é um homem, você ainda é o que era antes, você apenas terá alguns hábitos diferentes. – Ele colocou a mão por dentro do manto e dela retirou um envelope, preso por um selo de cera com a marca de uma mão esqueletal, ele também retirou um pequeno saco fechado de seu cinto. Ele se abaixou e colocou os dois objetos no chão – Meu mestre me chama de volta para a cidade dos ossos, então eu não poderei te explicar tudo, o que a carta por dentro do envelope poderá fazer, esta sacola contém um pouco de carne seca, coma e eu acho que sua perna poderá melhorar, embora as cicatrizes não possam ser curadas. Faça o que quiser depois que eu for embora, eu sei que você irá querer ir atrás da bruxa, você não estaria vivo se não quisesse. Apenas evite pessoas devido a sua nova…aparência.

      O homem logo se virou, de mãos escondidas por baixo do manto, se virou para o outro lado e começou a andar apressadamente. Ele não podia ver Aghato daquela posição, portanto este não tentou falar mais nada.

      Ele se arrastou em direção aos objetos, já estando sujo de terra ele não se importou, e os pegou. Com a sua espada servindo de apoio ele se levantou, e tentou colocar eles no bolso, antes de perceber que também estavam cheios de terra. Ele deixou a espada da ordem fincada no chão enquanto retirava a sujeira dos bolsos, o cachorro se aproximou dele e deitou em cima de seu pé. Aghato apenas pensava no que poderia fazer em alguns instantes e no seu futuro em geral, ele pensava se aquilo realmente acontecera, afinal, ele não se sentia morto, embora ele não sentisse quase nada, enquanto que sua vida voltava lentamente para sua mente. O que seus companheiros pensariam disso? Ele não poderia voltar à ordem de Walter até resolver tudo aquilo.

      Então, enquanto retirava terra de sua roupa, ele encontrou um pequeno cacho de fios de cabelos vermelhos, como os seus mas mais claros, amarrados por um barbante. Aquilo trouxe um pouco de paz á Aghato, que passou algumas horas naquele local apenas observando aquele caxo, a vida era algo bom para ele, e talvez ele realmente devesse estar agradecendo.

      Horas depois o sol nasceria, seria um novo dia para aquela estrada, e um novo dia para os mortos.

O que é este barulho?

 É como se os caçadores de mitos tivessem se juntado para realizar uma ultima explosão antes de um cometa chegar a terra.

-Erick A. Pediatra

Cara, cadê meu cachorro

 Mais um dia se passou desde da ultima vez que eu escrevi meu diário, e agora o Sr. Cobra passou a usar a estratégia “junte um monte de carros e exploda tudo” para ver se consegue abrir as portas do mcdonalds. Eu estou escondido atrás de um ônibus por que eu dou um pouco de valor a minha vida.

Eu me pergunto onde meu cachorro poderia estar. Eu tinha um cachorro vira lata chamado fingolfin, que eu alimentava e sempre estava deitado em algum local da minha casa, mas eu deixei ele sair para um passeio pouco antes das bombas caírem e ele ainda não voltou. Como eu sei que ele não morreu durante as explosões nucleares? Por que ele sobrevive A TUDO.

A grande invasão de ratos em 1994? Ele sobreviveu. A inundação de 1 de maio? Sobreviveu. A geleira de 2 de maio? Tambem sobreviveu. Ataque dos homens das neves em 3 de maio? Ainda continua vivo. Ele sobreviveu até as explosões nucleares de 2000. Eu tenho certeza de duas coisas, fingolfin está vivo em algum local, e explosões nucleares parecem ser bem comuns aqui na cidade.

-Erick A. Pediatra

Como entrar no mcdonalds

 Querido diário, eu e o senhor cobra finalmente conseguimos chegar até o mcdonalds que haviamos visto, o local está quase inteiro e nós podemos conseguir mais suprimentos. O problema é que aparentemente a lanchonete está protegida por grandes portas de chumbo.

 Nós chegamos bem rápido por que encontramos uma manada de iguanas gigantes no meio do caminho e usamos algumas delas como montaria. Isto me faria pensar em como diabos radiação fez com que todos os animais ficassem gigantes, mas isto é coisa para os filosofos sobreviventes pensarem.

 Bem, o senhor cobra está tentando abrir uma passagem enquanto eu escrevo este diário, através do metodo “bater na porta com um cano até que ela se abra”, e pode demorar um pouco. Mas acho que o tempo não deve ser um problema, temos comida o suficiente para….annnn….

….eu acabei de perguntar para o sr. cobra, ele diz que eu esqueci de trazer suprimentos da minha casa.

Será que eu posso comer papel?

-Erick A. Pediatra

Após o fim

 Querido diário, faz exatamente quatorze dias desde que as bombas foram soltas pelo mundo. Quase todas as cidades foram varridas pelo impacto e a radiação contamina o mundo. Nem tanto quanto você esperaria de um apocalipse nuclear, quer dizer, eu posso sair nas ruas sem acabar com dedos extras, mas quase todas as espécies de animais e plantas do mundo viraram mutantes, eu quase fui morto por uma preguiça outro dia, em nome dos loa, UMA PREGUIÇA.

 Mas enfim, sobraram apenas pedaços de civilização e desertos. Eu estou andando pelas ruínas da minha antiga cidade, sem televisão ou água, e acho que este diário é a única coisa que pode manter minha sanidade.

Pelo menos eu tenho a compania do meu rifle, meu casaco marrom que eu guardei especialmente para esta ocasião, e o meu fiel coadjuvante Sr. Cobra, a cobra falante.

Nós estamos em busca de alimentos neste momento, e acho que vimos uma lanchonete do macdonald do outro lado da cidade. Talvez não vamos sobreviver.

Muitos abraços, Erick A. Pediatra.

Sob os Olhos das Gárgulas – Parte 1

 

                                               ALPHA

     Centenas de letras estavam espalhadas de forma caótica pelo papel, e o homem da montanha tentava ordena-las. Em uma enorme sala, cercada de estantes e seus livros e pergaminhos, um local limpo de qualquer espécie de traça ou de teias de aranha. Era um local silencioso, ocupado apenas pelo homem sentado em uma das mesas do canto e um servo limpando o chão, sendo que a própria luz do sol já abandonava o local.

     O homem era alto, dois metros de altura, de largos ombros e um nariz grosso. Sua testa era coberta de cabelos que foram penteados para não cobrir os seus olhos, sendo que estes não eram os detalhes mais chamativos daquele indivíduo: Eram os dois olhos totalmente amarelos, de cor semelhante a do ouro, que pareciam brilhar sob certas fontes de luz, o que não era uma visão muito agradável para certas pessoas. O homem tinha um casaco de um marrom pouco chamativo, sapatos sujos da terra de uma longa caminhada e uma capa de cor azul jogada sobre uma cadeira ao lado. O homem era Ordis, e estava procurando por respostas naquele confuso pedaço de papel.

      A sua frente, estava uma folha de carta com letras espalhadas de todos os jeitos, não formando uma única palavra conhecida. Esta folha era cercada por alguns livros abertos, em suas páginas estavam diagramas e textos falando sobre mensagens ocultas, códigos secretos e técnicas para decifrá-los. Ordis estava desde a madrugada estudando aquela folha que ele furtara, naquela biblioteca quase escondida em um pequeno bairro, mas ele não conseguira decifrar nada, sua mente e seus amarelos olhos estavam cansados.

      Ele olhou de relance para cima, onde havia janelas que deixavam à luz do sol encontrar as estantes e livros, e percebeu que o dia já estava para acabar. O fino som, semelhante á um violino, das luzes que voavam pela cidade começou a soar. Logo viriam para lhe pedir que ele se retirasse, e ele não queria que alguém desse atenção a sua face ou visse os documentos que ele estava examinando, e começou a se retirar. Ele começou a fechar os livros, de forma lenta e ainda olhando para as páginas esperando ter uma idéia de ultimo momento, mas nenhuma veio. Ele dobrou a críptica folha e a guardou em seu sapato, junto ao calcanhar. O alto homem deixou os livros empilhados sobre a mesa e se virou lentamente para se dirigir á saída.    

      -Tente usar cera quente, funcionou comigo. E não se esqueça de levar sua capa – Disse uma voz vinda de trás de uma das estantes, falando de forma causal.

      Ordis se curvou para o lado para ver quem lhe falava. Era o jovem servo vestido em azul que tirava poeira das paredes com a ajuda de um espanador. Antes que o homem da montanha pudesse dizer algo, o trabalhador lhe respondeu.

      -Na minha infância eu e meus amigos trocávamos mensagens secretas deste jeito. Derrube um pouco de cera quente sobre ela e a mensagem de verdade aparece.

      Ordis não continuou aquela “conversa”, ele colocou a capa sobre os ombros e partiu para fora dali. Ele não sabia quem era aquele estranho individuo, nem se trabalhava para alguém de fora da biblioteca, nem se ele o reconhecera ou era apenas um homem com pouco a fazer.

       Ao sair às ruas quase vazias, o homem da montanha pôde ver duas estátuas de pedra com o formato de morcegos e olhos de esmeralda no alto dos prédios ao redor, gárgulas. Ele passou por elas sem se preocupar, pois sabia com suas experiências que ninguém usava as estátuas vigias daquela rua enquanto não era noite. Ele colocou os dedos a boca e soltou um assobio que de tão baixo mais parecia um sussurro, e então esperou um pouco enquanto olhava desconfiadamente para os outros lados da rua.

      Então se pôde ouvir o som de cascos vindo em direção ao alto homem, seguido por uma carruagem de madeira escura com dois braços recurvados a sua frente e nenhum cavalo visível lhe puxando. Ordis correu em direção a ela e entrou de forma apressada.

      Dentro daquele veículo haviam cordas ligadas diretamente á ele, com uma janela que permitia que os passageiros vissem o caminho a frente. Enquanto as forças invisíveis puxavam a carroça para frente, o homem dos olhos dourados se sentou e voltou começou a pensar. Ele refletiu sobre tudo o que acontecera nos últimos dias, desde daquele curto funeral, a sua visita ao necrotério, ele furtando aquela misteriosa carta, e todas as inúteis horas entre os livros.

      Em meio aos seus pensamentos, ele pegou a vela para leitura presa ao teto daquela pequena carruagem. Ele virou aquele objeto de cera por entre seus dedos por alguns segundos, pensando nas possíveis conseqüências do que estava para fazer; a cera poderia destruir o documento, talvez o que aquele estranho servo queria que ele fizesse. Mas sua curiosidade não parava de lhe atormentar, aquilo poderia ser a chave para o que ele procurava.

      “Na dúvida, vá em frente, se der certo deu certo; se não, bem, poderia ser pior” As palavras de Alice ressoaram nas suas memórias. Como que por impulso, o homem das montanhas girou o disco de metal que envolvia a vela, lhe acendendo, retirou a carta de seu esconderijo e a colocou por debaixo da chama laranja.

      Logo, a cera começou a se acumular na ponta daquela vela, e então uma gota caiu no papel. A cera tocou na folha e quase imediatamente esta se incendiou, uma pequena chama de um vermelho intenso surgiu, consumindo rapidamente a superfície daquele documento. Pego de surpresa, Ordis jogou ambos os objetos em sua mão para o outro lado, apagando a vela, e momentos depois aquela folha.

      O alto homem se curvou para o lado tentando ver o que sobrara. Ao invés das cinzas que ele esperava, pôde-se ver que apenas as letras foram queimadas, dando local á palavras legíveis. Imediatamente ele pegou a vela de volta, a acendeu e em seguida espalhou gotas de cera por todo o resto do documento, ignorando o fogo que surgia momentaneamente.

      Com o texto completamente revelado em suas largas mãos, ele tratou de ler aquelas palavras o mais rápido possível, perdendo a atenção de todo o resto a sua volta. Uma expressão feroz surgiu em seu rosto, ele agarrou as cordas que comandavam aquela carruagem e a dirigiu para o outro lado da cidade, apesar de todos os riscos.

 

      A luz da lua crescente já entrava pelas vidraças daquela casa. Em frente á um grande circulo de vidro, um homem aproveitava a visão da cidade enquanto bebia de uma taça de vidro em sua mão direita. Era uma grande sala com algumas mesas e estantes pelo local, estas decoradas com esculturas simples de cera, representando pessoas de corpos descobertos. Havia também uma pintura de dois metros de altura representando um forte homem segurando o planeta em suas costas, mas o que mais chamava a atenção era o som de passos vindo de trás da tela.

      Puderam-se ouvir trancas e grandes pedaços de metal se movendo, e o quadro começou a se afastar da parede como uma porta, rangendo gravemente neste movimento. O homem á janela ignorou estes acontecimentos, já acostumado com as pessoas que usavam aquela passagem. Ele bebeu mais um gole de sua taça e a colocou numa mesa próxima. Ele então parou de observar a paisagem urbana e olhou casualmente para trás, tentando identificar que era o visitante daquele dia, e viu uma figura que parecia se misturar com a escuridão daquela sala, coberta de uma capa de um azul negro, que o encarava com olhos de um brilho amarelo.

      Ele não reconhecera aquele visitante, e saltou para o lado, sua mão já abrindo uma das gavetas daquela sala, em busca de algo para se defender. Ordis deu um largo passo para frente e então ergueu seu pé, pressionando-o contra a mesa, esmagando a mão do senhor daquela torre. Ele teve de se segurar para não gritar de dor, tentando puxar seus dedos para longe da mesa, só conseguindo quando o homem da montanha deixara.

      Ele esfregou os seus dedos para tentar passar a dor, enquanto encarava o invasor, esperando pelo seu próximo movimento. Este colocou sua mão por dentro de sua capa e dela retirou um papel enrolado.

      -Senhor Charlemgne, esta letra deve pertencer a você – Disse Ordis, abrindo o papel e mostrando para o outro. – Nós temos de discutir sobre isto.

      -O que? O que está acontecendo?

      -Sobre os restos mortais de Alice d’ Necri – Ele falou ignorando a pergunta – aonde vocês os levaram?

      -Você está se enganando, eu sequer estou envolvido neste tipo de negócio…

      -Onde? – Interrompeu o homem da montanha, aproximando o papel ao rosto do outro, levantando o seu tom de voz, mas sem perder a calma. – Nesta semana o seu caixão fora retirado do cemitério, por pedido desta carta, que por acaso foi escrita por você. Agora, se quiser que eu vá embora, apenas diga; Onde. Ela. Está?

      -Ordis Erlhevos – Disse ele, finalmente percebendo o que acontecera, e começando a formular um plano em sua velha mente – Por que você acha que pode fazer isto? Você não pode ameaçar a nós deste jeito, o polvo tem braços por toda a cidade, faça alguma coisa e nós poderíamos acabar com a sua vida e de toda a sua “família”. – Os dedos de Ordis começaram a segurar o papel com mais força, amassando-o – Poupe a vida de todos eles e saia daqui. Esqueça o que viu.

      -Eu consegui chegar aqui, não? O “polvo” não é tão influente quanto você pensa.

      -E você acha que todos os outros não vão perceber que você invadiu minha casa e me ameaçou? Sua mente não está funcionando bem, você perdeu um ente querido e eu posso até entender isto. Não vale a pena lutar por isto, são apenas os ossos dela, eles servirão á um propósito maior, saia daqui e você não irá perder nada.

      Ordis foi surpreendido, talvez ele tenha agido de impulso este tempo todo, ele sequer acreditava de verdade nos rituais de seu povo. Talvez ossos fossem apenas ossos, a Alice real havia morrido e não tinha mais ligação com este mundo.

      Ele se virou para trás, observando a saída e pensando se poderia esquecer tudo aquilo e sair como se não acontecesse. Ele se sentira extremamente ofendido, como se estivessem desrespeitando toda a sua família, mas mesmo assim ele tinha dúvidas se poderia realmente ferir aquele homem caso ele não lhe contasse nada.

      Neste momento, o senhor daquela torre voltara a se dirigir á gaveta, procurando por uma espada retrátil que ele mantinha em sua coleção.

      -Pense nisto, ela nem era sua filha autêntica – Ele conseguiu segurar o pequeno tubo de madeira inscrito com símbolos azuis, apenas um movimento e aquilo se tornaria uma espada completa e ele poderia se defender adequadamente.

      Ao ouvir estas palavras, o homem de olhos amarelos se virou bruscamente para o outro, rosto expressando profunda fúria. Esta raiva apenas aumentou quando ele viu a arma na mão daquele que escrevera a carta. Em um impulso ele agarrou o homem pelo pescoço, seus dedos apertando e tentando sufoca-lo, enquanto o levantava á vários centímetros do chão, neste movimento uma lâmina se desdobrou formando uma espada fina e curvada. Antes que ela pudesse ser usada, Ordis deu um passo em direção á janela circular e atirou o homem através dela.

      Pedaços de vidro voaram pelo ar, violentamente e em todas as direções, para finalmente pousarem no chão ou nos tetos das casas em volta. O som destes se quebrando se misturou com o som de um desesperado grito, seguido pelo som de algo pesado se quebrando e então o silêncio. As gárgulas do formato de homens alados perceberam aquilo, e rapidamente a guarda cinzenta já se dirigia para lá.

      Quando Ordis percebera o que fizera, quando ele percebeu que perdera o controle, ele também percebeu que havia ido longe demais naquela estrada. Depois daquele ato não haveria mais volta, ele teria de sofrer as conseqüências.

      Ele se virou para a porta metálica que levaria para as ruas. Talvez ele pudesse se entregar para a guarda, e confessar o homicídio. A guilhotina lhe traria descanso.

      Mas isto seria arruinar seus filhos, seria baixar a cabeça frente ao polvo, e seria trair suas promessas de juventude. Seria trair Alice.

      O homem alto correu pela sala, abrindo gavetas bruscamente e procurando por tudo que poderia lhe indicar o que fazer; documentos, símbolos e algumas daquelas folhas com mensagens escondidas por dentro. Ele retirou sua capa, enrolou tudo o que encontrara e a levou nas costas, como um saco.

      Enquanto o som das armaduras e das pessoas curiosas se formava em volta, o homem da montanha abriu o quadro novamente e saiu por aquela passagem oculta. A passagem levaria por um caminho por debaixo dos canais e lhe levaria á uma área longe da vigília das gárgulas. Era uma passagem indicada na carta, através da qual o destinatário poderia receber seu pagamento.

      Aquela mesma carta marcada com o símbolo do polvo.  

  

 

Demo: Castlevania Lords Shadow

-Por Pguana

Há vários dias atrás eu analizei vídeos do novo jogo “castlevania Lords of shadow” tentando descobrir como o jogo poderia ser. Agora os interessados podem ver por sí mesmos, pelo menos aqueles que tambem são donos de xbox 360, pois foi lançada a primeira demo do jogo.

fonte:http://www.destructoid.com/castlevania-lords-of-shadow-demo-hits-xbox-live-185576.phtml

RED DEAD GOBBER

-Por Sebastião Farenheint Nemo

                       “Menoth criou os homens, Radliffe os tornou iguais”

Bem vindos a mais um “artigo de como trazer características de outros gêneros para seu jogo de reinos de ferro”, também chamada de….. alguma coisa.

Hoje nós iremos tratar de um gênero de cinema que se encaixa muito bem em caern: o faroeste. Todos vocês já devem ter visto um filme de faroeste ou pelo menos uma paródia. E elementos como duelos em meio a cidades, longos desertos, cenas de perseguição a cavalo, roubos a trem, cartazes de procurado, salões e prostitutas que por algum motivo vestem mais roupas que minha avó.

Antes de querer começar uma aventura ou campanha ao estilo de oeste italiano, é importante que veja filmes que consigam captar o clima clássico. Caso queira pesquisar em uma locadora, é quase obrigatório que você procure pela trilogia dos dólares, por Sergio Leone e estrelado por Clint Eastwood. A trilogia consiste de “por um punhado de dolares”, “por uns dolares a mais” e “três homens em conflito” (tambem chamado de “o bom, o mau e o feio”). Há poucas séries que marcaram mais o gênero do faroeste, possuindo muitos momentos de tensão, brigas de revolver ou personagens simplesmente chutando bundas. Ao assistir estes filmes, preste atenção nas cenas de tiroteio, na tensão gerada pela música, que acaba gerando uma sensação de que qualquer um pode morrer a qualquer momento.

Alguns irão recomendar o filme “rastros de ódio”. O filme trata de um grupo de pessoas perseguindo um grupo de indíos, que por sua vez seqüestraram uma criança. A obra trata bem de temas como o ódio preconceituoso e a viagem pelas terras do oeste (o que torna o filme útil caso a aventura envolva muitos locais ou perseguições em longa distancia). Eu pessoalmente não iria recomendar este, por ter um final extremamente, mas extremamente decepcionante. Então, se for ver, pare antes dos minutos finais.

Caso sua aventura vá ser mais leve (o que seria o mesmo de ter uma aventura de comédia em dark sun), vá ver “de volta para o futuro 3”. Este filme é interessante por trazer propositalmente vários clichês do faroeste.

Para quadrinhos, temos o clássico Tex. Que pode ser encontrado com facilidade e barato em várias bancas, e que pode ser uma leitura interessante pelo fato de, em várias de suas aventuras, os personagens acabam se encontrando com eventos sobrenaturais, o que pode se encaixar melhor em aventuras em immorem do que histórias citadas anteriormente.

E em seguida, se puder encontrar, procure pelo livro de RPG “faroeste arcano”, que se destaca por tentar misturar rpg de fantasia e faroeste, e pode dar muitas idéias. Mas o melhor exemplo de fantasia + faroeste + horror seria o cenário “Deadlands”, que já foi publicado em versão própria e agora foi publicado com as regras de savage worlds.

Procure tambem, no youtube, por doutor vapor. Não é de faroeste, mas o nikola passou muito tempo fazendo aquilo e sou pago para fazer propaganda.

Como jogo, é quase que totalmente impossivel não recomendar o “red dead redemption”, um jogo que traz incriveis cenários, tiroteios, e é um ótimo exemplo de como uma aventura caixa de areia deveria ser.

“veja, neste mundo existem dois tipos de pessoas meu amigo. Aqueles com armas carregadas e aqueles que cavam sua própria tumba. Você cava”

Quando for montar sua campanha, é recomendado que tenha os seguintes suplementos: Os guias do mundo, por serem obrigatórios para qualquer jogo dos reinos. É recomendado também que possua o monstronomicon 2, por trazer informações sobre criaturas do deserto e skorne, que podem ser muito úteis nas campanhas. Mas já dá para fazer algo bom com o monstronomicon lançado no brasil.

O sem trégua 1 pode ser útil devido á matéria sobre magos pistoleiro e principalmente pelas regras de duelo. As outras sem trégua não são tão necessárias, mas você deveria comprar de todo o jeito devido à qualidade.

“A educação vem da cidade, a sabedoria vem do deserto”.

“Mas onde eu devo passar minhas campanhas?” pergunta o cara que passa tempo demais longe do sol. Histórias clássicas de faroeste se destacam por se passarem em locais pouco explorados, quase desérticos, isolados de quase qualquer forma de civilização. E com uma porrada de trens. Qual local dos reinos de ferro que mais se encaixa nesse perfil? As planícies da pedra sangrenta, claro. A partir de agora vamos considerar que você vai passar suas aventuras neste local. Antes de preparar sua aventura, pesquise os exemplos citados anteriormente e então leia a seção sobre as planícies no guia do mundo dos reinos de ferro.

Histórias de faroeste normalmente se passam em pequenas cidades/vilas no meio de um local semi-desertico, perto de áreas de criação de gado ou grandes minas de algum material precioso. Nessas cidades clássicas, é importante ter as seguintes locações:

Um bar/saloon/taverna: sabe aquela história de que os personagens sempre se encontram numa taverna? Pois bem, TODO MUNDO se encontra na caverna. É um local onde há música, pessoas dançando, e bebida que provavelmente não vai te matar (lembrem-se de que em certos locais a bebida alcoolizada tem menos germes do que água normal). Se os personagens precisarem encontrar pessoas importantes, brigas ou simplesmente pessoas dando missões para todo mundo, que eles procurem no salão.

Uma igreja: que provavelmente irá ser dedicada á menoth, devido á proximidade das planícies em relação ao protetorado.

Uma caixa cheia de água: Quando você vive no deserto, você precisa armazena água em algum local, como em uma caixa gigante em cima de uma alta plataforma. As chances dos personagens provavelmente derrubarem a caixa é alta. 

Uma pequena cadeia: Um local onde os fanfarrões passam a noite ou onde criminosos maiores esperam antes de serem levados para cidades maiores. É nesse local em que normalmente o responsável/is por manter a lei passam o tempo. Se quiser, coloque cartazes de procurado que os jogadores podem ou não procurar por.

Um banco: onde os personagens podem guardar dinheiro, e irá inevitavelmente ser roubado em alguma aventura. Há uma seção sobre bancos no guia do mundo caso isto te interesse.

Nas regiões ao redor da cidade, é importante que se tenha:

Uma mina: Ou até varias. Locais onde as pessoas são atraídas para tentar melhorar sua vida. Espere por trilhos, carrinhos para levar suprimentos e vários equipamentos e objetos de trabalho. Minas abandonadas também podem aparecer, mas não perca tempo demais com elas. Para explorar cavernas cheias de monstros você já tem o D&D normal.

plantação de gado: No geral, é importante ter pessoas cuidando de gado, tanto para que se tenha comida, quanto para que se tenha dinheiro com a venda dos animais. E o mais importante, é uma boa fonte de aventuras. Sumiço de gado, roubo de gado, morte de gado, tudo isso é um bom motivo para que os personagens possam matar alguém. Nada incentiva mais as pessoas a fazerem coisas do que a chance de não terem mais hamburguers.

Trens: Que irão: A) serem roubados em algum ponto, ou B) correrem o risco de atropelar alguem importante.

Tribos: Discutiremos isso adiante.

Esconderijo de bandidos: Algum tipo de cidade ou forte secreto onde os bandidos ficam quando não estão roubando bancos ou trens. É importante que se tenha muitos bandidos no local, para que os personagens tenham de vence-los de alguma foram que não seja uma invasão direta ao local.

“quando você tiver de atirar, atire. Não perca tempo falando”

Quando se pensa em faroeste qual é a primeira imagem que lhe vem a cabeça? Prostitutas? Ok, e depois? Cerveja? Ok, e depois disso? Dançarinas de bar? Tudo bem, vamos apenas considerar que você vai pensar em algum momento em um cowboy com um revolver em mãos. Poucas coisas são tão legais quanto tiroteios e armas de fogo, que por acaso existem nos reinos de ferro.

Mas a imagem de um cowboy com uma espada mekânica ou com uma varinha mágica vorpal. Sendo assim, você vai querer dar uma ênfase maior as armas de fogo, mas como fazer isso?

Em primeira instância, você pode diminuir o preço da munição e do equipamento.

“mas por que a polvora iria ter preços baixos em um local tão isolado do resto do mundo?”

Por que eu mandei.

Além disso, permita que todas as classes tenham acesso á perícias de pistolas e rifles. Caso isso não seja o suficiente, você vai querer aumentar o dano dessas armas. O que deve se equilibrar com inimigos que tambem usem armas de fogo. Menos personagens irão usar outras armas, mas eu acho que era essa a intenção. Claro, lutas com inimigos que não usem tais armas podem ficar fáceis demais.

Outras armas movidas á pólvora também devem ser mais comuns nesse tipo de aventura. Canhões montando fortes e até mesmo esconderijos de bandidos podem ser um tanto comuns, dando trabalho á personagens que queiram atacar o local, ou ajuda-los a se proteger da invasão de outros. Dê um certo acesso á explosivos para os personagens, dando em quantidades já delimitadas (como entre os espólios de inimigos ou em locais que eles tenham invadido, ou até dado por aliados). Ou você pode estipular um preço para estes, aumentando-o ou diminuindo-o dependendo da quantidade que você quer que seus personagens tenham. A clássica dinamite com uma alavanca para ser ativada também pode ser interessante, afinal, um dos instintos mais básicos do ser humano é sua vontade de explodir coisas.

Coisas que você vai querer dar atenção é o quão comum armas de fogo são. Se quiser se manter coerente com o resto do cenário, elas devem ser mais raras. Mas se quiser se manter no espírito do espaguete, todos na cidade devem ter pelo menos uma pistola. O homem do bar deve ter uma para lidar com fanfarrões, pessoas na rua podem ter pistolas para se defender caso os personagens queiram mata-las (mas estas pistolas devem sumir por motivo nenhum quando for outra força atacando a cidade). Talvez até o pianista tenha um libertador vanar dentro do piano.

Outra coisa á ser levada em contra é a letalidade dos combates. Em faroeste, e nos reinos em geral, cada tiro é uma chance de morte e deve ser temida. Por isso, tente limitar suas aventuras em níveis baixos, talvez até use a variação do E6. Se os seus personagens estiverem sobrevivendo á tiros demais, pense em usar sistemas mais mortais para substituir.

Lembre-se das regras de duelos (presentes na sem trégua número 1), e considere todas as penalidades por fugir de duelos e trapacear neles como válidas neste estilo de aventura. E não se esqueça de descrever moinhos sendo levados pelo vento.

“Escute, é assim que funciona. Se você não pode perceber o perdedor na sua primeira meia hora na mesa, então você é o perdedor”.

Alguns prazeres na vida são proibidos por todos os deuses decentes lá fora. E talvez seja por isso que estes sejam tão populares. Estamos falando é claro dos jogos de azar, coisa quase obrigatória no faroeste. Em quase toda cena de bar você vai ver alguém no fundo jogando poker ou roleta. E estes jogos podem ser muito úteis em uma aventura, seja para montar um clima (“vocês entram no prédio e vem vários caras jogando poker em diversas mesas, e mais a frente vocês enxergam o vilão da semana) ou até mesmo para desafios durante a aventura, como quando personagens tem de se infiltrar em um desses jogos para chegar ao vilão, ou investigando trapaça em cassinos. 

Caso precise de uma mecânica para jogos de azar (como roleta ou jack preto), role um dado de vinte lados. Se o resultado for vinte, o jogador que apostou ganha, sendo que os números nos quais os personagens ganham aumentam de acordo com as apostas (um personagem que apostou em 3 números na roleta ganharia em uma rolagem de 20/19/18). 

Para poker e semelhantes, use a abuse de rolagens de intuir intenção e blefar (ou equivalentes). De preferência role os números em segredo. Os irão desconfiar de você, mas em um jogo de cartas você não pode confiar em ninguém. Use o dado de vinte lados para definir a mão de cada jogador, uma rolagem de 1 é uma mão ruim (como um 2 e um 3) e um vinte é uma muito boa (um flush, por que royal flush é um mito urbano), não precisa definir exatamente as mãos, apenas descreva a qualidade delas. E as mãos dos inimigos podem ser roladas em segredo. No caso de alguém estar trapaceando não se esqueça de dar um bônus.

Mas as cartas podem ser usadas para melhorar o clima de faroeste. Quando você pensa em faroeste, o que lhe vem à mente (fora prostitutas; cerveja e seja lá o que for)? Dados de vinte lados ou cartas? Cartas se você tiver uma vida social normal. Então pode ser útil que você use dados ao local de cartas. Com um sistema que o Nikola nos ensinou.

Como? É simples. Arranje um baralho, e tire todas as cartas que tiverem pessoas nelas. O as vale 1, enquanto que as cartas pretas possuem o valor demonstrado, e as vermelhas equivalem ao valor + 10 (um 2 vermelho vale 12 enquanto que o 10 vale 20). Coloque cinco cartas do baralho em cima da mesa, e os jogadores devem tirá-la para cada rolada do dado de 20. coloque cinco cartas novas quando aquelas acabarem e embaralhe tudo para quando tudo acabar.

“As leis de menoth são bem simples, e podem ser encontradas em um único livro, que por sua vez pode ser encontrado em qualquer local. Assim, quando eu perceber que você vez algo de ruim e eu vim atrás de você com uma clava quase tão pesada quanto uma mula, é por que você mereceu”.

A planície das pedras sangrentas ficam perto do protetorado. E como foi dito anteriormente, sempre há uma capela em toda cidade faroestiana. Então não se esqueça tratar desta religião em seus jogos. Talvez um clérigo seja um dos personagens mais influentes da cidade (quando você é um lider religioso em um local longe de qualquer civilização você praticamente diz o que as pessoas devem pensar). Uma pessoa que anda pelas ruas pregando a lei sagrada ou ajudando as pessoas. Talvez ele seja um thamarita corrupto (ao contrário dos thamaritas honestos) enganando as pessoas. Quando as pessoas forem cercadas por um exercito de skornes, para o que elas vão se virar por ajuda? Para o deus cujos seguidores conseguem ir a guerra sem camisa, ou para os seus rifles dependendo da cidade. Se este for o vilão, os jogadores terão dificuldade em enfrentar o lider religioso, pois este deve ter toda a população da cidade ao seu lado (pensem em “o pistoleiro” de stephen king”). De todo o jeito, os seguidores de menoth devem ser mais do que os vilões extremistas da semana.

“O que você esperava? Alguem andando por aí quase sem roupas fazendo barulhos idiotas com a boca?”

Em filmes antigos de faroeste, os indios eram quase sempre os vilões, pessoas bárbaras que queriam matar todo mundo e cortar as tampas de suas cabeças. Enquanto filmes mais recentes apresentam tribo indigenas sob uma luz mais agradável, representando-os  como pessoas mais próximas da natureza e do misticismo e formadores do green day. E ambos os estereótipos podem ser representados nos reinos.

O estilo bárbaro da coisa pode ser representado pelos skorne. Grupos selvagens, que atacam qualquer forma de civilização ocidental, que possuem magia profana e que provavelmente irão arrancar o seu couro (com você ainda vivo). E o fator principal, estes podem ser mortos á vontade sem que os personagens se sintam culpados. Eu dei preferência aos skorne ao invés dos clássicos bogrin e seguidores da devorada, por que, ao invés destes, os skorne são vilões realmente perigosos. Capazes de planejar, ordenados, que não irão temer em usar escravos para realizar o trabalho. E se eles te pegarem vivos, eles irão te torturar, te matar e te comer com palitos de dente.

Com sorte, nessa ordem.

Para estereótipos mais místicos, use de raças seguidoras de Dunia. Gobbers se for uma raça pacífica, e trolloides se quiser uma raça de guerreiros nobres. Você pode inverter os casos, mas no geral essas são as raças que se encaixam melhor no estereotipo.

Povos idrianos também podem ser usados como um grupo mais neutro, que podem ser aliados ou desaliados. Caso decida usa-los, trate um pouco de sua relação com o culto de menoth.

E…..yeah

“É um robô. É um maldito robô”

Existe algo icônico nos reinos de ferro que não pode ser simplesmente encontrado em nenhum filme de faroeste: os robôs movidos a vapor. Eles provavelmente não serão comuns, mesmo em cidades mais próximas ao país. Mas eles estarão lá, não seria os reinos de ferro se não estivessem.

Se houver um gigante a vapor, 98% de chance dele ser um gigante de trabalho. Embora ele possa ser um gigante de guerra disfarçado de gigante de trabalho caso pertença ao protetorado. Os reparos são raros, então as chances de ser velho e defeituoso são altas. Talvez tenha até membros faltando.

Um gigante a vapor teria várias utilidades em uma campanha de faroeste. Ele pode ser um minerador (com uma furadeira que convenientemente pode ser usada como arma), ou responsável por tirar cargas de trens ou ajudar na criação de plantas. De todo o jeito, um gigante a vapor será muito importante para a cidade e, portanto, uma boa fonte de aventuras. Talvez o robô tenha quebrado e os jogadores tenham de encontrar um mekânico ou peças. Talvez ele seja roubado, ou os jogadores terão de lidar com um gigante fora de controle. Ele também pode ser útil, podendo ser usado para lidar com trabalho pesado (“ok, como nos vamos derrubar a caixa de água?”) ou para grandes combates (‘unnn, temos uma tribo inteira de skorne atacando, onde nós vamos arranjar alguém capaz de dar muita porrada?). Lembre-se de dar personalidade para este gigante, principalmente se for velho, isso só vai deixar a experiência melhor.

“Eu não sei qual espécie é pior. Você não os vê F*89#$ uns aos outros por uma maldita porcentagem”.
Quando você vive em uma cidade isolada, cheia de pessoas (que são basicamente sanduíches com pernas para predadores) e muitas vezes cercada de gado (que são todo o tipo de alimento com pernas), de vez em quando você vai encontrar um predador entrando em suas terras. E se seus jogadores viajarem muito pelas planícies, recomendo que eles não durmam.

Eis vários monstros do monstronomicon 1 (pois eu não estou com o 2) que podem se encaixar em uma aventura no oeste a vapor.

aranha da cripta: basicamente obrigatória em minas
 
besouro de rapina: pestes quase comuns

caçador das dunas: leia a história do fuzileiro no guia de personagens, tente dormir em paz hoje a noite.

diabrete do barril: Se encaixam bem em histórias onde a taverna tem um papel importante.

Fantasma pistoleiro: em um estilo de jogo mais centrado em pistolas, ele é quase obrigatório.

filho do porco: estes podem ser encontrados como vilões/orcs atacando viajantes despreparados. Mas eles podem também ser personagens e ocupantes da cidade (ei, qualquer par de braços que possa trabalhar é útil).

Gorax: como bestas atacando viajantes, ou como força de trabalho em locais onde gigantes não estão disponíveis.

Inumano do poço: Para aventuras de zumbis + minas.

Mosca assassina.

Skigg: quando seus personagens confiarem demais em suas armas, essa é a melhor forma de quebrar suas esperanças.

Vaporino: para aventuras que se passem perto de trens.

Apesar de eu citar tantos bichinhos, aventuras de faroeste devem se concentrar em inimigos inteligentes e provavelmente armados com pistolas e rifles. Os monstros devem servir como ameaça maior em áreas afastadas da cidade para enfatizar a importância destas.

Lembre-se também de usar animais normais, como coiotes, aves de rapina, cobras e semelhantes.

E cavalos, não se esqueça dos cavalos.

Como pode ser um tanto óbvio, aventuras ao estilo espaguete tem de ter cavalos. Tanto para perseguições, tiroteios em alta velocidade, para acompanhar trems durante assaltos ou quando houver combates envolvendo-os (seja com os personagens estando no trem ou nos cavalos). Se o sistema que estiver sendo usando tiver regras para combates montados, dê uma olhada, e retire as regras que os dificultem. E se quiser que o seu jogo tenha um foco em montarias, faça com que todas as classes tenham acesso a perícia adequada (tem perícia para montar cavalos, não?).

“Bem, olhem para isso. Parece que nós chegamos aqui justo na ultima hora. O que isto faz de nós?”
“Grandes malditos herois senhor”

Por ultimo, eu gostaria de fazer uma menção honrosa para uma serie conhecida como firefly, que eu não citei entre os exemplos por ser mais de ficção cientifica do que fantasia em si. Mas possui muitos elementos de faroeste. Firefly (e o filme da série, “Serenity”) merece ser visto e usados como inspiração. Tanto para situações interessantes, como para montar aventuras, ou para desenvolvimento de personagens em si. Apenas assista e seja iluminado. 

yeah

Questionario de desenvolvimento de personagens

 

 

Por Sebastião Fahrenheit Nemo

Não, este não é meu nome. Mas devia ser.

De vez em quando, você poderá encontrar um questionário, seja na escola, em algum tipo de teste médico, ou numa delegacia de policia. Esses questionários muitas vezes trazem perguntas cujas respostas nós nem pensamos sobre, e estas perguntas por sua vez nos fazem pensar sobre nós mesmos e acabamos descobrindo mais sobre nós. Isso também é válido quanto a outras pessoas, aquelas que nós conhecemos ou que apenas estudamos em escolas.

Então, não há motivo para este processo também funcionar com personagens ficcionais. Muitos autores (amadores e profissionais) de fantasia vão construindo personagem aos poucos, começando com uma imagem do personagem e adicionando elementos á eles enquanto desenvolve a trama. Outros criam e desenvolvem personagens ao estilo “a personagem é linda como a atriz tal, mas luta como astro de ação tal”. Mas, quando apresentado á perguntas sobre seus personagens e obra, o autor é obrigado a pensar em respostas e características para esses.

Por isso, nós da Soares S/A desenvolvemos um questionário para você, escritor amador, possa construir personagens com um pouco de profundidade, talvez que até pareçam ser pessoas de verdade, e não elementos de trama.

A coisa funciona assim: pegue um personagem de alguma obra sua ou que você esteja criando agora. Responda as perguntas apresentadas a seguir baseado nas características deste. Caso não tenha uma resposta, tente criar uma baseada no que você já tenha sobre a pessoa e que faça sentido. Se possivel, aplique o processo em todos os seus personagens, recomendamos que tentem pelo menos no protagonista e antagonista.

Atenção: as perguntas a seguir foram feitas tendo histórias de ficção especulativa, então há a chance de que não funcione com outros estilos de escrita.

Como você descreveria este personagem dentro de uma linha?

 

Nota: colocamos o limite de uma linha para que os autores mais energéticos não delonguem muito, e para que o autor possa descobrir o que deste personagem importa mais para ele.

 

Este personagem possui família? Quantas?

 

Nota:o conceito de família vai variar muito para cada um, alguns irão considerar apenas famílias de sangue enquanto outros irão incluir amigos íntimos.

 

O que este personagem pensa sobre esta/s família/s?

 

Nota:Nem sempre fazer parte de uma família significa que seus integrantes estão em termos amigáveis.   

 

E o que está pensa sobre o personagem em questão?

 

Qual é o sexo de seu personagem? Neutro?

 

Nota: Apesar de muitas histórias de fantasia/ficção cientifica/horror envolverem indivíduos e raças sem definição sexual, apenas uma ou sexos diferentes do típico macho/fêmea. Mas mesmo assim esses personagens possuem personalidade de um destes sexos, agindo como homens e mulheres. E há também personagens que agem fora do estereotipo de seu sexo. E ainda há aqueles que não são influenciados por sua sexualidade, tendo ou não uma. Por isso, pedimos que pense mais em como seu personagem age do que em seu corpo.

 

Qual é o nome completo de seu personagem?

 

Nota: apenas para saber se você pensou mesmo no nome de seu personagem.

 

Algum apelido? Como ele/a/i se sente em relação á este apelido?

 

Qual é a profissão deste personagem? Como ele se sente em relação a esta?

 

Algum hobbie?

 

Nota:alguma atividade que seu personagem realize fora de sua profissão por prazer.

 

O quão interessado/obcecado este personagem está neste hobbie?

 

Medos. Quais o seu personagem tem? Estes tem base lógica? Quais não tem? Quais são baseadas em experiências ruins?

 

O quão estes medos afetam seus personagens? Já atrapalharam gravemente?

 

Nota: começamos com a clássica pergunta “qual é o maior medo de seu personagem?”. Mas percebemos que isso levaria autores a darem atenção demais a este medo em si e esquecer que pessoas normalmente têm medo de muitas coisas.

 

O quão saudável é o seu personagem? Ele tem alguma doença, deformidade ou deficiência física?

 

O quão velho seu personagem é fisicamente? E mentalmente?

 

O que este personagem pensa sobre a sua própria morte? E quanto á morte de seus conhecidos?

 

Este personagem já matou alguém? Como ele se sente quanto a isso, ele mataria de novo? E sob quais circunstâncias?

 

Tem alguma figura que o personagem admira?

 

Existem elementos fantásticos em sua obra? O seu personagem já teve contato com esta? E o que ele pensa sobre esta?

 

Filosofia, qual o seu personagem segue? Qual filosofia ele acha que pode melhorar a sociedade em que vive?

 

Falando em sociedade, o que seu personagem acha daquela em que ele vive? Como ele se relaciona com ela?

 

O que o personagem acha de seu próprio passado? E o que ele planeja para o futuro?

 

Como ele se comporta e se sente entre pessoas intimas? E em situações formais?

 

Ele/a/i se arrepende de muitas coisas em sua vida?

 

Nota: Assim como a questão de medos, evitamos perguntar “do que ele mais arrepende?” para evitar que criassem personagens centrados em apenas um arrependimento.

 

Ele tem vícios? Quais?

 

Que tipo de clima ele prefere?

 

O que normalmente o irrita?

 

Como ele lida com as coisas que o irritam?

 

Deuses e religiões. Ele segue alguma? O que ele acha dos deuses/religiões presentes em sua obra?

 

Se este personagem segue uma religião/culto/deus, como você descreveria esta dentro de uma linha?

 

Tecnologia. O que este personagem pensa sobre esta?

 

O que seu personagem é incapaz de fazer?

 

Nota: Quando falamos sobre coisas que ele é incapaz, não pense em colocar coisas impossíveis como “ele não sabe voar em uma bicicleta ou dividir 3 por zero”. falamos de coisas que outras pessoas são capazes mas que ele não consegue. Talvez seu personagem não saiba nadar, talvez ele não saiba usar uma espada, talvez ele não consiga falar com alguém sem xingar sua mãe.

 

Como ele se sente em relação desta incapacidade?

 

Numa escala de otimismo e pessimismo, sendo 1 o otimismo total e 10 o cinismo total, em que escala seu personagem estaria?

 

Crianças. Como este personagem se relaciona com crianças de seu povo?

 

Se na sua obra há varias culturas, povos e raças: como este personagem se relaciona com estes?

 

Como este personagem reagiria se descobrisse que vive num mundo ficcional?

 

A vida o universo e tudo mais, o que este personagem pensa sobre tudo isso?

 

Nota: pessoas que fizerem piadas sobre 42 irão apanhar

 

Nota:Muito.

 

Para finalizar, por hoje, como este personagem iria descrever a sí mesmo?

 

É isso, as perguntas acabaram ficando muito básicas mesmo, mas mesmo assim elas irão ser úteis. Sintam-se livres para recomendar novas perguntas ou para postar suas próprias respostas.

E sim, eu percebi que pode parecer ter sido influenciado por RPGs. Mas qualquer coisa que eu fizesse relacionado a ficção especulativa seria comparada com rpgs.

Tradução: A canção de natal dos antigos

Estrelas queimando intensamente, fervendo e se agitando para uma nova temporada de destruição.

yeah

E sim, a Soares S/A tem uma nova música para começar.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.